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quarta-feira, 9 de junho de 2010

AGLUTINADOR NÃO É SECADORA NEM MOINHO


É muito comum encontrar nas recicladoras, aglutinadores fazendo o serviço de secadoras. É que materiais úmidos saem enrugados ou meio porosos prejudicando a qualidade do material acabado. Ocorre que quando o material entra úmido na rosca da extrusora a umidade vira vapor e depois gás, misturando-se com o material que está sendo extrudado. Então, são utilizados aglutinadores para secar o material, esquentando-o.

Vários recicladores juram de pé junto que é impossível extrudar sem passar o material num aglutinador. Mas isso não é verdade, existem formas melhores de secar os plásticos.

Extrudei vários tipos de materiais sem precisar utilizar aglutinadores, e como o nome o diz, aglutinadores são para aglutinar, não secar ou moer.

MAS O QUE É AGLUTINAR?

O filme de baixa depois de picotado, se colocado diretamente na extrusora, por ser muito leve não desce no funil da mesma, e a todo tempo, se faz necessário ter alguém socando para o material descer. Por isso foi inventado o aglutinador, que como o nome diz, aglutina o filme dando maior densidade.

Os filmes, no processo de fabricação, quando passam pelo balão são esticados e quando são reaquecidos se contraem.


É lógico que esse método já foi superado, e atualmente as grandes empresas usam alimentação forçada, que é uma rosca empurrando o material em direção à rosca da extrusora. Tornando o processo bem mais econômico, pois, o consumo de energia dos aglutinadores é muito grande e sua produção pequena.

Bem, para os descrentes segue a foto de uma linha de lavagem de PP e PE na qual trabalhei quase quatro anos, e nunca tive que passar o material lavado em aglutinadores.


A secadora e o moinho gastam muito menos energia que um aglutinador, e tem a vantagem de ser um processo contínuo e não por bateladas como no aglutinador, o motor da secadora da foto é de 15CV e do moinho é de 20CV totalizando 35 CV.

Para fazer o mesmo serviço com um aglutinador seria necessário um motor de 60CV no mínimo, que gastaria muito mais energia, sem contar que o aglutinador trabalha em regime de batelada, consumindo uma energia enorme quando começa seu ciclo e entra em carga.

O moinho da foto serve para terminar a secagem, já que ele se esquenta pelo atrito do corte do material; Sendo alimentado de forma contínua não dá trancos, e gasta sempre a mesma energia (sem oscilações). Eram necessários somente dois operários e a produção era bem grande.

Nessa linha costumávamos moer caixas de cerveja Brahma vermelhas e amarelas (como mostra o pó embaixo da secadora e no visor do cilo) e misturávamos com outros tipos de PEAD de sopro e injeção. Também passávamos vários tipos de PP na mesma linha e posteriormente guardávamos em “BEGs” que eram convertidos em “pellet”, numa extrusora de 120 mm.

É lógico que, se o material a ser moído for de espessura muito fina como garrafas, e não for misturado com materiais de espessura maior, a secagem será ineficiente tornando-se necessário o aumento da quantidade de secadoras, ou que se insufle ar para melhorar a secagem.

O polietileno e o polipropileno não são higroscópicos como PET e náilon, quer dizer, eles não absorvem umidade da atmosfera por isso se secados devidamente não precisam ser esquentados novamente para sua extrusão.

Moral da história: “Seque seus produtos devidamente na sua lavadora, e não precisará de aglutinadores para esquentá-los antes de extrudar”. Poderá processá-los à temperatura ambiente mesmo. Lembre-se que o polietileno e o polipropileno virgem costumam ser vendidos em sacos de 25 kg e não vem com a indicação: “Aqueça antes de usar”. E se o motivo for misturar diferentes plásticos, isso pode ser feito na lavadora mesmo, ou em um misturador de ração que usa um motor de 2CV.



TAMBÉM OS AGLUTINADORES NÃO SÃO BONS MOINHOS.

É comum em recicladoras, sobretudo de tubos de PVC, o uso de aglutinadores fazendo o papel de moinhos, contudo a produtividade de um aglutinador nessa função é muito reduzida comparada a um moinho. Há os que usam forrageiras para moer PVC, o que constitui algo ainda pior.

3 comentários:

  1. Bom dia!
    Primeiramente parabéns pelo site! E obrigado por compratilhar essas valiosas informações.
    Eu sou do RS e tenho duas empresas, uma de reciclagem onde eu extruso sucata que eu compro de terceiros (PEBD) e outra na qual eu fabrico filmes com este material, para posteriormente virar embalagens, sacolas,etc. Lendo seus textos, me identifiquei com duas situações. Primeira (na fábrica de filmes): "Aglutinador não é aquecedor", aqui sempre vejo o pessoal dizer que é necessário esquentar o material antes de colocar na extrusora, se não o fazem aparecem os famosos "olhos de peixe" no balão. Uns dizem que é por causa da umidade, outros da tinta que se encontrava no material antes de ser granulado, qual sua opinião a respeito disso?
    Segunda situação (na fábrica de reciclagem): Devido ao problema anterior, investimos em uma extrusora nova, com dupla degasagem e alimentação forçada, a qual eliminaria o uso do aglutinador também nesta fábrica. Estamos enfrentando o problema do material embuxar na alimentação forçada, está bem complicado, os técnicos já vieram 3 vezes tentar resolver o problema com diferentes soluções e todas ainda sem sucesso. Conheces alguma empresa especializada no assunto alimentação forçada (rosca, funil, etc)?

    Tenho um bom dia!
    Att,
    Vinícius

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  2. Vinícios
    Obrigado pelo elogio. Eu comecei a trabalhar com reciclagem logo no começo quando se falar em alimentação forçada era o mesmo que falar em chinês e a gente tinha que tentar entender o processo em catálogos de maquinas alemãs. Era difícil na época sem internet, por isso crie este blog, por que sou apaixonado pelo assunto mesmo hoje trabalhando em outra área continuo sempre ligado prestando consultoria.
    Quanto as suas perguntas
    Não precisa esquentar. Se o material estiver bem seco não aparecem esses defeitos que nada, mas são que restos de umidade do filme. Tintas costumam ser constituídas de materiais sólidos dissolvidos em algum solvente que evapora quando a tinta seca. Alem disso as tintas em filmes costumam ser colocadas em pequenas quantidades, já que são caras. Se você pesar um quilo de filme e pesar depois a tinta da impressão dele e fizer a proporção chegara a um 0, 0000000 um monte de ceros, proporção tão pequena que difícil mente causariam um defeito macroscópico como o “olho de peixe”. Pigmentos costumam ser sólidos que se misturam as moléculas do plástico e mesmo sendo adicionados em quantidade maior não conheço nenhum que de esses defeitos. Pelo menos nos resíduos de filme que se encontram no lixo domestico esse defeito costuma aparecer por causa da umidade.
    Não conheço ninguém dessa área. Eu trabalhe com alimentação forçada. Que nós mesmos confeccionamos, já que na época no existia no Brasil e tivemos o mesmo problema.
    O material embuchava no funil ou ficava o material pulsando na saída da extrusora. Solucionamos o problema adequando a velocidade da rosca da alimentação com a rosca da extrusora e a ponta da rosca da alimentação forçada ficava bem rente ao filete da rosca da extrusora. Fora que verificamos que a umidade do filme, o tamanho e a espessura também influenciavam.

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  3. Bom dia, tenho uma empresa de reciclagem em São Paulo estou com dificuldade para extrusar aparas de PEAD apos lavagem, estou utilizando o aglutinador para retirar a umidade do material tendo um consumo excessivo de energia eletrica. Preciso de uma ideia melhor para retirada da umida.
    Agradeço desde já

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